Jânio Natal admite o perigo da Covid, mas diz que Porto Seguro é diferente

“Aqui, o povo não tem para onde correr. Ou arrisca pegar Covid ou morre de fome”


25 de fevereiro de 2021 08:53

Jânio Natal (PL), prefeito de Porto Seguro, queixa-se de que o governo não tem lhe dado a devida atenção na crise gerada pela pandemia. Ou melhor, nunca foi procurado para conversar, nem por Rui Costa nem pelo pessoal da saúde.

— Que a crise da Covid é preocupante, é uma realidade indiscutível. Mas nesse contexto, Porto Seguro é diferente. 95% da população vivem do comércio alimentado pelo turismo. Temos que discutir uma saída. Aqui, o povo não tem para onde correr. Ou arrisca pegar Covid ou morre de fome.

Jânio diz que Porto Seguro, segundo maior destino turístico da Bahia, só superado por Salvador, tem 60 mil leitos na rede hoteleira. Em tempos normais, a média de ocupação é de 80% a 90%. Em 2020 foi 45%, um pouco melhor só no fim de ano, nos povoados de Trancoso e Arraial d’Ajuda, porque na sede foi mal.

Na UTI

O prefeito ressalva que não quer se contrapor às medidas baixadas pelo governo do Estado, mas ressalva que sendo Porto Seguro com esse diferencial no perfil econômico, merece também uma atenção específica.

— Mas nunca me chamaram para dizer nada, nem que eu estou errado, se assim eles entenderem.

Porto Seguro dispõe hoje de 12 leitos de UTI para Covid. Nos últimos dias, com níveis de ocupação dos mais altos, entre 80% e 100%. Mas a maioria dos pacientes é de gente da região que para lá converge.

Lá, aliás, que tem vida noturna, o toque de recolher aumenta o baque econômico.

Bahia.ba