Santa Cruz Cabrália vai eleger as 5 experiências incríveis
Santa Cruz Cabrália fica tão colada a Porto Seguro que nem parece que você, turista, mudou de cidade. São apenas 23 km seguindo pela avenida Beira-Mar, ou 30 minutos de distância. Mas se engana quem acha que Cabrália não tem suas particularidades. O município com pouco mais de 27 mil habitantes se destaca pela tranquilidade de suas praias, pela ótima gastronomia e pelo custo-benefício.
Desde março de 2022, a cidade está buscando seu reposicionamento por meio da execução de um Plano Municipal de Turismo. “Por muito tempo, Cabrália esteve a reboque de Porto Seguro por conta da proximidade, mas estamos mudando essa realidade. Começamos a nos desvencilhar de Porto Seguro para todos entenderem que Cabrália é um destino independente”, afirma o secretário municipal de Cultura e Turismo.
Um dos primeiros movimentos da secretaria foi uma parceria com o Sebrae para um direcionamento estratégico, levantamento do inventário turístico e promoção do destino no mercado – Santa Cruz Cabrália participou nesta semana do Festival de Turismo de Gramado (Festuris). “Temos um grande potencial turístico, mas que nunca foi trabalhado pelas gestões anteriores”, destaca Magalhães.
No dia 2 de dezembro, a secretaria também lança a campanha “Experiências Incríveis de Cabrália”. Os visitantes poderão, por meio do voto, escolher as experiências em um aplicativo no site Visite Cabrália até o final de janeiro. Serão disponibilizadas 14 opções de experiências para os viajantes escolherem cinco.

O município de Santa Cruz Cabrália começa na praia de Mutá, no distrito de Coroa Vermelha, e se estende até a divisa com Belmonte. São 50 km de praias, muitas delas desertas ou semidesertas, passando por distritos como Vila de Santo André, Santo Antônio e Guaiú. O vilarejo de Santo André, por sinal, ficou afamado internacionalmente em 2014 por sediar a seleção alemã de futebol na Copa do Mundo.

Cabrália é ainda referência no descobrimento do Brasil – em 26 de abril de 1500, o explorador português Pedro Álvares Cabral mandou erguer uma cruz com armas na praia de Coroa Vermelha, onde os frades franciscanos da comitiva rezaram a primeira missa no Brasil. Um monumento de granito com uma cruz de dois metros de altura está lá erguido como testemunha da história.
Na década de 1970, o turismo começou a ser explorado na cidade baiana, e, em janeiro de 1981, o conjunto paisagístico e arquitetônico, formado pelo ilhéu da Coroa Vermelha, a orla marítima e os monumentos na Cidade Alta, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (foto acima) e a Casa de Câmara e Cadeia, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Desde Cabral, quem vem a Cabrália se encanta principalmente por suas praias, menos lotadas de turistas do que as de Porto Seguro; pela sua arquitetura, que remonta ao período colonial, suas paisagens, como aquela que se vislumbra dos mirantes, sua gastronomia – não se deve sair da cidade sem experimentar a moqueca de jabá (carne seca sem gordura) com banana-da-terra e biribiri – e seu povo hospitaleiro.

A gastronomia é um atrativo tão forte na região que o município promove dois eventos anuais. Neste ano, em setembro, estreou o 1º Festival Temperos de Cabrália, com a participação de 27 restaurantes da cidade e dos distritos, com pratos celebrando os temperos indígenas e os chefs locais cozinhando em praça pública. Em outubro, acontece o tradicional Festival da Lagosta, já na sua sexta edição.

Para quem viaja à Costa do Descobrimento, Cabrália tem o melhor custo-benefício – o viajante encontra meios de hospedagem para todos os bolsos e gostos, desde uma simples pousada ao custo de R$ 100 até um hotel de luxo com diárias a partir de R$ 2.000. Assim mesmo, a cidade recebe apenas 10% dos cerca de 2 milhões de viajantes que viajam a região todos os anos.
Eleger as experiências em Cabrália não é uma tarefa difícil. Uma das experiências únicas na região é uma visita às aldeias indígenas. Dados recentes do Censo do IBGE apontam a Bahia com a segunda maior população indígena do Brasil: 229,1 mil pessoas. Cabrália tem a quarta maior população, com 7,1 mil indígenas. Duas aldeias estão abertas à visitação: Pataxó Txag’Rú Mirawê e Pataxó Nova Coroa.
Nessa região, os pataxós não vivem tão isolados: usam calça jeans, estudam em escolas regulares e têm acesso ao celular e internet, mas mantém muitas tradições preservadas. O visitante precisa contratar um passeio com um guia local. O receptivo Porto Azul operacionaliza o passeio ao custo de R$ 65 à aldeia à Txag’Rú Mirawê, localizada ao lado da BR-367, onde vivem cerca de 40 indígenas.

“A visita se inicia com uma palestra curta, depois é seguida de uma experiência da pintura facial feita com corantes naturais, como o urucum. O visitante percorre uma pequena trilha na mata para conhecer as armadilhas de caça e as ervas medicinais, assiste a uma apresentação de dança típicas e experimenta o peixe assado na folha da patioba”, conta Gerson Júnior, gerente do Porto Azul Receptivo.

Um dos passeios clássicos leva até o Parque Marinho de Coroa Alta, uma ilha de corais em alto-mar e com grande diversidade vida marinha. Turisticamente, é o principal passeio na cidade. Na maré baixa, formam-se piscinas naturais no local com várias espécies de peixes e corais. Para chegar até lá, é preciso pegar uma escuna que sai píer municipal e percorre um trajeto de uma hora.

Na maré baixa, um fenômeno interessante acontece em Coroa Vermelha, o Caminho de Moisés (foto acima): um caminho de areia se abre da praia para dentro do mar – referência à passagem bíblica de quando Moisés abre o mar Vermelho para a passagem de seu povo –, permitindo aos turistas caminharem por vários metros dentro do mar.
No centro histórico, na Cidade Alta, recomenda-se paradas no mirante Ai que lindo, ao lado da igreja Matriz, ou em outro ao lado da Prefeitura de Santa Cruz Cabrália. O Ai que lindo oferece vistas fantásticas para o mar, os rios João de Tiba e Camurugi, vila de Santo André, os manguezais e as reservas de Mata Atlântica, principalmente ao fim do dia, quando o sol reflete os raios no espelho d’água.
Um passeio obrigatório em Cabrália leva à Vila de Santo André. Deslizar suavemente nas águas azuis escuros do rio João de Tiba mangue adentro é uma experiência fascinante, principalmente ao pôr do sol. Ao custo de R$ 100 por pessoa, o turista navega pelas águas doces da região, toma banho em alguns pontos do rio, come frutas já incluídas no pacote. Há, ainda, a opção de descer o rio de caiaque.

No passeio pelo rio João de Tiba, uma parada na Ilha do Sol, também conhecida como a “Ilha dos Doces”, é uma experiência à parte. A história da ilha começou com dona Ivone e suas cocadas na década de 1980. Por conta de um erro de ‘mão’ nas cocadas, ela elevou o doce a beijos. Hoje, além das centenas de sabores de beijos, uma lojinha oferece ainda licores coloridos, pimentas e outros quitutes doces e salgados, além de lembranças artesanais.

Em um ou dois dias em Santo André, o visitante terá bons motivos para circular pela vila à noite. Apesar de pequena, a localidade baiana tem restaurantes com toques charmosos e bom atendimento, como Gaivota, Tangerina e João de Tiba, capaz de deixar qualquer um bem à vontade. O vilarejo é um bom lugar para quem quer se hospedar com luxo e conforto. Uma edificação construída para abrigar a seleção alemã durante a Copa do Mundo de 2014 deu lugar ao resort Campo Bahia.

Fora d’água, os passeios de bicicleta ou de carro pela região são destaques da viagem. Vizinhas de Santo André e também pertencentes ao município de Santa Cruz Cabrália, estão Santo Antônio, a 8 km, e Guaiú, a 13 km. Na primeira, há um mirante de mesmo nome com uma enorme estátua do santo ao lado de uma capela e de onde é possível avistar toda a região. Os dois povoados têm faixas de areias praticamente desertas e possuem pequenos comércios onde pode-se comprar garrafas de até 2 L de óleo de coco “100% natural” e artesanato e vassouras feitos à base da fibra da piaçava, palmeira abundante na região.

Em Guaiú, uma das atrações é o restaurante da Maria Nilza. Na beira do mar, a antiga dona de uma pequena barraca já vendeu um dos melhores estabelecimentos na região. Com serviço de praia, quiosques privados, espreguiçadeiras com esteiras, ducha e água de coco, o visitante é recebido pelos novos proprietários com sorriso largo. Decorado de forma rústica, mas amplo e aconchegante, o restaurante tem petiscos tradicionais como polvo a vinagrete e a porção de aipim ou pratos individuais como o bobó de camarão e o arroz com siri. O banheiro do estabelecimento, ao ar livre, também é um destaque.

Se der tempo, um passeio leva à Fazenda Mãe Tereza, um reduto rural a menos de 2 km do centro de Santo Antônio. À beira do Rio Camurugi, a fazenda tem diversas atrações para o turista, como redário e um mini parque aquático. Oferece ainda passeios de caiaque, de lancha, tirolesa, a cavalo, charrete ou trenzinho e pesca esportiva. Destaque para o almoço que mescla culinária regional à famosa parrillada uruguaia e sobremesas caseiras.

Como todo mineiro gosta mesmo é de praia, as de Cabrália superam as de Porto Seguro e Arraial d’Ajuda ao menos em um quesito: tranquilidade. Mutari tem mar calmo e águas quentes, além do encontro do mar com o rio homônimo; Arakakaí está no coração de Cabrália e tem piscinas naturais na maré baixa; da Tartaruga, entre distritos de Santo André e Santo Antônio, com pedras à beira-mar, garante um visual incrível; de Jacumã possui bons serviços de praia; de Lençóis, entre Arakakaí e Mutari, é mais deserta por conta do mar agitado; de Santo André é pura tranquilidade, sem ondas; e a do Boboca revela muita rusticidade.
Serviço
Como ir: acesse Voe Azul e escolha o melhor voo para Porto Seguro.
Passeios à aldeia indígena: acesse Porto Azul Receptivo.

Onde se hospedar
Príncipe do Mutá Hotel Design: diária a partir de R$ 470 com café da manhã, piscina.
Campo Bahia Hotel Villas Spa: diária a partir de R$ 1.350 com café da manhã.
Vila Angatu Eco Resort & Spa: diária a partir de R$ 850 com café da manhã.
Santuário Fazenda Hotel: diária a partir de R$ 1.500 o casal em acomodação luxo com café da manhã.
Fonte: O Tempo

