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Presidente da Câmara e prefeito articulam para privatizar a água do município

O projeto circula na câmara desde o ano passado e tem sido questionado por conter interesses escusos por parte do poder executivo


Duas semanas após a alteração do horário das sessões da Câmara de
Vereadores, projeto de lei que visa conceder ao executivo total liberdade para celebrar e permitir concessões do serviço de saneamento e fornecimento de água do município é colocado em pauta em duas sessões extraordinárias no mesmo dia.

Orquestrado desde ano passado, o objetivo desde projeto é antecipar o desejo do executivo e de sua base de vereadores no legislativo de privatizar os serviços de saneamento e fornecimento de água em Santa Cruz Cabrália.

Mais próxima do que nunca, a privatização divide opiniões. Uma parcela
da população, insatisfeita com os serviços prestados pela empresa
estatal, vê na privatização o fim de seus problemas. Já uma outra parte entende que a privatização não é a solução, pois vê na privatização a vontade de transformar a água, que é um bem público, em mercadoria, promovendo lucros para os empresários que investirem nisso. Com contrato de prestação de serviços vencido há meses, diálogo entre a EMBASA e o Poder Executivo ficou abalado. Faltou vontade política do prefeito Agnelo Santos em cobrar da empresa melhoras em seu serviço, cenário todo montado para facilitar o processo de privatização.

O projeto circula na câmara desde o ano passado e tem sido questionado
por conter interesses escusos por parte do poder executivo na aprovação do mesmo. As cidades vizinhas, Porto Seguro e Belmonte, passaram pela mesma situação que Cabrália, mas conseguiram barrar o projeto a tempo. Audiências públicas duvidosas, montadas apenas para validar a decisão de privatizar e entregar a água da população dos municípios para as empresas privadas, aconteceram nas três cidades.

No final do ano passado, a EMBASA esteve presente em reunião com vereadores Xêpa e Luciano na Câmara Municipal. Na reunião, o diretor
regional da EMBASA, Severino Neto, afirmou que caso fosse aberta a licitação, a EMBASA não teria condições de competir com os preços das empresas concorrentes. Preços esses que não se sustentam a médio prazo. O diretor regional lembrou também que há projetos para ampliar a cobertura da EMBASA em Santa Cruz Cabrália, mas que falta de diálogo entre gestor municipal e governador dificultam muito a atuação da empresa na cidade. O diretor regional também assumiu que a atuação da empresa deixa a desejar em alguns aspectos, mas que muito disso se deve ao fato do contrato estar vencido, o que impede a empresa de fazer qualquer novo investimento.

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