PP é o partido mais investigado em corrupção no Brasil


12 de fevereiro de 2020 18:31

O desdobramento da operação Lava Jato desta terça-feira atingiu a cúpula do Partido Progressista em um momento que a legenda está em franca ascensão e se tornava uma das queridinhas dos pré-candidatos à presidência. Enquanto os holofotes da política estão sobre o PT de Lula e o PSDB de Aécio e Alckmin, o PP vê sua influência crescer nos bastidores, tornando-se um poderoso e imprescindível aliado para quem quer governar o Brasil com apoio do Congresso. Entre a eleição de 2014 – quando elegeu 38 deputados federais – e a última janela partidária (quando os políticos podem mudar de legenda), que se encerrou no início de abril, o partido conseguiu filiar 12 parlamentares novos e se tornou a terceira maior bancada da Câmara. Desbancou o PSDB e tem apenas um deputado a menos que o MDB, tornando-se a terceira da Casa, com 50 parlamentares.

A moeda de troca que o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira Filho, usou para convencer seus novos correligionários era exatamente dinheiro. Prometia ceder até 2,5 milhões de reais do fundo eleitoral (ou seja, recursos públicos) para cada um dos deputados financiar sua campanha à reeleição.

Um dos que foi convencido a ingressar no Partido Progressista foi o deputado federal Osmar Serraglio. Eleito pelo MDB, é da bancada ruralista, foi ministro da Justiça de Michel Temer, mas acabou defenestrado do cargo após ser acusado por correligionários por não segurar as investigações da Polícia Federal. Hoje, além dos 50 deputados (quase 10% da Câmara), o PP tem seis dos 81 senadores.

Esse apoio congressual e um fundo de 130 milhões para investir nas eleições, transformaram os progressistas em um dos partidos mais procurados para futuras coligações. Tanto legendas de esquerda, quanto de direita tentam se aproximar do partido em seus Estados. Nas últimas eleições, apenas uma governadora da legenda se elegeu, Suely Campos, de Roraima. O PP, contudo emplacou cinco vice-governadores, sendo três de Estados chaves para a eleição presidencial: Rio de Janeiro, Bahia e Paraná.

Sem a intenção de lançar um candidato presidencial, o PP está mais inclinado a apoiar, ainda que informalmente, o Democratas, do pré-candidato Rodrigo Maia, de quem Nogueira é amigo. Porém, também discute apoio ao PSDB, do presidenciável Geraldo Alckmin. Enfim, é um partido que fará parte de qualquer administração, apesar de ter se originado da Arena, o partido que deu sustentação à ditadura militar brasileira (1964-1985). Uma espécie de novo MDB, que esteve ao lado de todos os presidentes desde a redemocratização do país, na década de 1980.

Figurar nas páginas policiais é algo comum entre os progressistas. Dos 56 parlamentares federais da legenda, ao menos 31 têm processos criminais tramitando no Supremo Tribunal Federal, entre eles Ciro Nogueira, Dudu da Fonte (outro alvo da operação desta terça-feira), Paulo Maluf (que está preso por desvios de recursos em São Paulo), Benedito de Lira, Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro.

El País