Mobilização indígena contra municipalização da saúde chega à Brasília, Coroa Vermelha continua no segundo dia;

Tema marcou a segunda manifestação nacional de povos indígenas contra medidas do governo Bolsonaro


28 de março de 2019 12:04
Indígenas marcham em Brasília contra a municipalização da saúde / Foto: ApiB

Dezenas de etnias marcharam, nesta quarta-feira (27), em Brasília e em pelo menos 22 estados brasileiros, contra a proposta de municipalização da saúde indígena e o desmonte da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em um pronunciamento realizado no dia 20 de março, o ministro da Saúde, o ruralista Luiz Henrique Mandetta, anunciou a extinção do órgão. Com a ação, a saúde das populações indígenas ficaria sob responsabilidade dos municípios, e de seus respectivos governos e partidos.

Desde o início de seu mandato, o ministro – alinhado à política anti-indígena de Jair Bolsonaro – tem anunciado suas intenções em relação à saúde indígena. Os indígenas protestaram ocupando prédios públicos, fechando rodovias e se reunindo em aldeias contra as medidas. Eles dizem que o fim da Sesai representaria “um novo genocídio” para seus povos. A medida é apenas uma das ameaças aos direitos indígenas trazidas pelo governo.

No início do ano, indígenas por todo o país denunciaram a transferência da atribuição da demarcação das terras da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura, bem como a ameaça de paralisação das demarcações. De Olho nos Ruralistas acompanhou a campanha, chamada de Janeiro Vermelho, e as manifestações: “Com mais de 50 atos pelo Brasil e pelo mundo, indígenas inauguram onda de manifestações contra Bolsonaro“.

Dados da Sesai mostram que os atendimentos à população indígena aumentaram 400% nos últimos quatro anos. A secretaria contabilizou, entre 2014 e 2018, 16,2 milhões de assistências. A Sesai conta com 13.989 profissionais para garantir a assistência primária à saúde e saneamento ambiental dos territórios indígenas. São 360 Polos Base e 68 Casas de Saúde Indígenas (Casai), que atendem 205 etnias em 597 terras indígenas. A secretaria executa a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e toda a gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) no Sistema Único de Saúde (SUS).

Foto: Bahia40Graus

CABRÁLIA
Em Cabrália as manifestações ocorrem pelos indígenas Pataxó da TI de Coroa Vermelha, trancaram a BR 367, entre os municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália.

Fonte: BrasildeFato