
Formatada a partir de 2019, ‘Meninas baianas na ciência’ é uma destas ações. Ela é desenvolvida como primeira etapa na comunidade indígena Coroa Vermelha, território indígena Pataxó, em Santa Cruz Cabrália, através de iniciativa da Fiocruz Bahia, em parceria com o colégio estadual indígena da localidade. Participaram cerca de 60 estudantes, professores e demais componentes da comunidade escolar, com apoio da Secretaria Estadual da Educação.
Além do compartilhamento de experiências por parte das pesquisadoras da equipe Fiocruz/Bahia, foi montado um pequeno laboratório para que as estudantes pudessem manusear equipamentos básicos, bem como disponibilizada uma biblioteca. “Foi gratificante participar deste evento. Saí com um olhar diferente sobre meu futuro”, afirmou a adolescente moradora de Coroa Vermelha Maria Eduarda Guedes.
Ela pontuou que desde criança tem o desejo de cursar medicina e que o encontro lhe fez ter a certeza do que quer. “Poder ajudar o meu povo Pataxó de alguma maneira. É importante a participação de mulheres indígenas dentro e fora de suas comunidades”.
Para a estudante, “algumas das maiores dificuldades enfrentadas por uma adolescente indígena do sul da Bahia incluem “discriminação racial e cultural, falta de oportunidades de emprego e estereótipos negativos associados aos povos indígenas”, lamentou.
Aluna do mesmo colégio e também natural de Santa Cruz de Cabrália, Nuriela Pataxó está se decidindo entre medicina e farmácia. “Muitas acabam indo para a informalidade. A gente não tem espaço e voz. É bem raro ter”, salientou, explicando que “a mudança (de moradia para estudar e trabalhar) pode ser um processo traumático, quando não existem cuidados, nem apoio para superar as dificuldades”.
Ela ressaltou que o melhor foi perceber que as outras meninas passaram a ter interesse e seguir carreira na área. Sobre o aumento do protagonismo da juventude indígena, Nuriela citou que “principalmente após avanço das redes sociais, tem tido um papel fundamental na luta pelos territórios e na defesa dos direitos dos povos originários”.
Carreira
Para a pesquisadora da Fiocruz/Bahia, Natália Tavares, a distância dos centros onde têm cursos voltados para os interesses científicos é uma das barreiras para as garotas do interior. Por isso a importância de sensibiliza-las durante o ensino médio, “para que elas compreendam que a ciência pode ser uma carreira”.

