Cabrália ganha um novo aterro sanitário

Aterro conta com três camadas que impedem que o lixo contamine o solo e não chegue ao mar e aos lençóis freáticos.


18 de maio de 2021 09:11

Uma das mais importantes zonas turísticas da Bahia e do Nordeste e responsável por abrigar parte importante da história da chegada dos portugueses ao Brasil, a cidade de Santa Cruz Cabrália (extremo sul baiano) ganhou um importante aliado na conservação ambiental da região. Ontem, com a presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi inaugurada a nova Central de Tratamento e Valorização do Resíduo (CTVR), que vai reduzir a poluição e degradação da natureza nativa.

O CTVR implantado pela empresa Naturalle na Costa do Descobrimento é o mais moderno tipo de aterro sanitário, com três camadas que impedem que o lixo contamine o solo e não chegue ao mar e aos lençóis freáticos.

O responsável técnico da empresa, João Fortuna, explica que o equipamento, localizado em uma área de 74 hectares entre as cidades de Porto Seguro e Eunápolis, vai concentrar o recebimento de resíduos que hoje são lançados nos lixões de todas as cidades no entorno.

“O local onde será depositado o resíduo sólido é totalmente impermeabilizado com uma tripla camada de proteção: uma camada de argila, outra de geocomposto betonítio, uma manta de polietileno de alta densidade e, por cima uma camada de proteção de solo arenoso, para somente depois vir o resíduo”, descreve o engenheiro civil com doutorado em meio ambiente.

O novo aterro sanitário faz parte do programa Lixão Zero, eixo da Agenda Ambiental Urbana, lançada em 2019 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), implantado pelo governo federal para tentar erradicar os lixões no país.

Resíduos domésticos

No mesmo local podem ser tratados os resíduos domésticos, da construção civil, dos serviços de saúde (que são autoclavados ou incinerados) e industriais.

“Normalmente os resíduos descartados de qualquer jeito no solo produzem o chorume, que polui não só os recursos hídricos superficiais como também subterrâneos; […] em uma CTVR, no mesmo local, você resolve todos estes problemas de resíduos da localidade”, justifica.

O engenheiro acrescenta que este novo aparato pode se tornar um “novo nicho de trabalho ambiental”, sendo um atrativo para aqueles que desejam investir na área com “responsabilidade”.

A obra não teve custo para o governo federal e foi viabilizada pela Naturalle, que investiu R$ 50 milhões no aterro.

Em visita à cidade, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, concedeu uma entrevista em que trata de questões cruciais à área da pasta. Na entrevista, Salles defendeu as ações ordenadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Entre os temas abordados, o ministro indica mudanças no processo de licenciamento ambiental, diz que “o desenvolvimento econômico vem junto com a preservação ambiental” e nega o desmonte dos órgãos de controle, além de destacar a postura do Brasil na Cúpula do Clima, que, segundo ele, “foi elogiada por todos”.

Atarde