Cabrália está na lista das cidades com maior número de desmatamento da década

Atlas do instituto SOS Mata Atlântica aponta que Cabrália suprimiu 3.559 hectares de áreas de mata.


21 de agosto de 2020 09:05
Área de mata atlântica desmatada em Santa Cruz Cabrália

Mais de dois terços (71%) do desmatamento na Mata Atlântica entre 2018 e 2019 ocorreu em 100 municípios, o que equivale a apenas 3% das cidades na qual está distribuído o bioma. Dos 100 municípios que mais desmataram, 40 estão em Minas Gerais, 23 na Bahia, 22 no Paraná e 15 em outros estados. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (19), no Atlas dos Municípios da Mata Atlântica. O período totalizou 14.502 hectares de vegetação nativa desmatada, concentrada em cerca de 400 cidades. Historicamente, esse é um número que varia entre 200 e 550 municípios, de acordo com os dados do levantamento, que é feito desde 2000 nem uma parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE.

Um dado que surpreendeu e preocupou especialistas foi a presença de Porto Seguro em 6ª lugar na lista entre os 10 que mais desmataram entre 2018 e 2019, com 240 hectares de Mata Atlântica suprimidos. O território do município abriga áreas protegidas como o Parque Nacional do Pau Brasil e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, e possui mais de 100 mil hectares de área remanescente do bioma.

RANKING DA DÉCADA

Na Bahia, os municípios que mais perderam áreas de Mata Atlântica nos últimos dez anos são Santa Cruz Cabrália, com 3.559 hectares suprimidos; Belmonte, com 3.303; Baianópolis, com 2.841; e Wanderley, com 2.731, e que fecha o ranking, em 10º lugar.

“A situação nos municípios comprova o que temos alertado há anos, mas infelizmente o cenário não muda. É de conhecimento das autoridades onde ocorre o desmatamento da Mata Atlântica ano a ano. São poucas regiões, porém com altas taxas de desmatamento e impacto ao meio ambiente. Zerar o desmatamento no bioma passa por priorização do poder público e atuações estratégicas nestes locais”, afirma a diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, coordenadora do estudo.