Atraso na vacinação: indígenas estão recusando a vacinar, diz secretaria de Saúde

Só 1.604 dos 3.837 indígenas da região receberam a primeira dose.


12 de fevereiro de 2021 09:12

Santa Cruz Cabrália aplicou somente 2.070 doses das 4.230 recebidas. O desafio está em convencer os indígenas a se vacinarem. Segundo a secretária de saúde de Santa Cruz Cabrália, Renata Pinheiro, só 1.604 dos 3.837 indígenas da região receberam a primeira dose.

“Nosso município tem enfrentado uma baixa adesão, bem abaixo do esperado. Está tendo muita recusa, muita fake news, tem a questão política também que está incendiando na questão da vacinação, porque muitos são contra o governo federal, muitos acham que a Anvisa não aprovou e que não houve testes suficientes para garantir a eficácia da vacina e tem a questão religiosa também, em que alguns acham que a vacina veio para alterar o DNA”, explica Renata.

A secretária conta que a gestão municipal tem se reunido com caciques, pedindo apoio e criando estratégias de divulgação em rádios da cidade para contrapor à desinformação. Como não há condições de armazenamento na aldeia, são enviadas 200 doses diariamente para os índios. A maioria, no entanto, volta para o estoque na sede do município no fim do dia. A vacinação em outros grupos, tem avançado. Das 400 doses recebidas para os profissionais de saúde, 88% deles já foram imunizados.

A imunização dos idosos acima de 80 anos começou na última segunda-feira (8) e está sendo feita a domicílio, por bairro. São pouco mais de 186 pessoas nessa faixa etária e a prefeitura recebeu 200 doses. O combinado com o governo do estado foi, então, separar as estatísticas dos indígenas das de trabalhadores de saúde e idosos, para que outros grupos pudessem receber as vacinas, já que o município não atingiria os 75% se todos os grupos fossem somados.

A indígena Alice Pataxó, que hoje mora em Porto Seguro, já tomou a vacina, pelo posto de saúde de Coroa Vermelha. No entanto, muitos por lá não tem aderido ao plano de imunização. “Muitas famílias não aceitam, a gente entende que é por conta das fake news que não têm ajudado, dizendo que a vacina veio muito rápido”, expõe a pataxó. Porém, na medida em que alguns forem tomando a vacina e outros forem percebendo que não houve reação, ela acredita que a adesão melhore. “

Com informações do Correio da Bahia