Universidades federais cortam bolsas e adiam aula presencial

Algumas universidades temem não ter condições para aulas presenciais neste ano.


15 de junho de 2021 17:26

Algumas universidades temem não ter condições para aulas presenciais neste ano.

Os cortes sucessivos são registrados desde 2019, no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. O Ministério da Educação afirma se esforçar para mitigar os efeitos das reduções orçamentárias e recompor as verbas.

Porto Alegre, Salvador, Curitiba, Recife, Ribeirão Preto, Belo Horizonte e Rio de Janeiro com cortes orçamentários de até 36% das verbas de custeio determinados pelo governo Bolsonaro, universidades federais vivem um cenário de estrangulamento, com a suspensão parcial de bolsas para alunos vulneráveis e impacto até em pesquisas para vacinas contra a Covid-19.

Parte das universidades, como as federais do Pará, do Acre, de Santa Maria (RS) e de São Carlos (SP), já temem não ter condições para retomar as aulas presenciais no segundo semestre deste ano.

O Ministério da Educação diz se esforçar para mitigar os efeitos das reduções orçamentárias e recompor as verbas.

Os cortes sucessivos são registrados desde 2019, primeiro ano de Bolsonaro. Professores tiveram que comprar camundongos com o próprio dinheiro para não interromper pesquisas, e universidades tiveram que cortar até o bife dos restaurantes universitários.

Na Universidade Federal da Bahia, que perdeu R$ 30 milhões da verba de custeio, o contingenciamento arrochou os R$ 7,2 milhões que eram destinados à assistência estudantil, atingindo 4.700 alunos.

Os cortes atingem principalmente os mais vulneráveis, caso do estudante indígena Kahu Pataxó, 30. Natural da aldeia Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, ele cursa o sexto semestre de direito.

Ele recebia R$ 900 de bolsa permanência, destinada à moradia de indígenas e quilombolas fora do domicílio, mais R$ 400 para alimentação. Com os cortes, os dois auxílios de Kahu passarão a ser de R$ 830 e R$ 200.

“É um dinheiro que uso para sustentar minha família, pagar o aluguel e a alimentação”, afirma Kahu, que mora com a esposa e tem dois filhos que ficam na aldeia para não perder o contato com a cultura indígena.