Mancha de óleo com mais de 21 km² está se aproximando da Bahia

Outra mancha de 3,3 km² segue na mesma direção


12 de outubro de 2019 10:27
Óleo chega às praias do Litoral Norte da Bahia (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO )

O surgimento de manchas de óleo no litoral do Nordeste está preocupando as autoridades, mas o cenário pode ficar ainda pior. Isso porque pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) localizaram duas novas manchas no mar, uma de 21,6 km² e outra de 3,3 km². Elas estão em alto mar, mas seguindo em direção a costa da Bahia.

Imagem de satélite mostra mancha de óleo – Divulgação/UFBA

Segundo o professor da Ufba, Pablo Santos, as manchas estão a cerca de 100 km da costa, entre o Litoral Norte da Bahia e o Sul de Sergipe. Ele é especialista em sensoriamento remoto e contou que o petróleo cru foi identificado por um satélite da União Europeia, às 7h55 desta sexta-feira (11).

“Isso foi às 7h55. Ela já deve ter se deslocado. Como ela está em uma área onde há constância de nuvens não é possível monitorar com imagens de satélite de sensoriamento remoto passivo. É preciso que o satélite tenha radar porque o radar penetra na nuvem e chega até a superfície do oceano. É um radar da União Europeia, mas os dados são de uso comum”, afirmou.

Até esta sexta, seis praias de Salvador já registraram a presença de óleo e 20 kg foram retirados das areias pela Limpurb. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que vai averiguar se procede as informações levantadas pelo satélite, mas para o especialista não resta dúvida.

“No radar a mancha de óleo fica muito escura, porque o oceano tem uma rugosidade superficial relativamente elevada que fica clara na imagem de radar. O óleo quebra essa rugosidade superficial e fica mais escuro, um fenômeno chamado de espalhamento secular. Então, é bem característico de óleo”, explicou.

As informações levantadas foram repassadas para o grupo de pesquisa em oceanografia da Ufba do professor Guilherme Lessa. Doutor em ciências marinhas, ele contou que as manchas estão se deslocando para a costa da Bahia, mas que ainda não é possível dizer quando exatamente elas devem atingir as praias.

“Ela está a 100 km para fora da costa do estado de Sergipe, mas está dentro de um trajeto que é o mesmo que levou as manchas dos últimos dias para a costa. Dada as condições de circulação atmosférica e oceânicas no momento, é muito provável que essa mancha se desloque em direção ao litoral da Bahia. Isso significa que os transtornos que nós estamos tendo agora ainda vão durar bastante tempo. Até que todo esse material toque a costa serão muitos dias de transtornos”, afirmou.

Os especialistas frisaram que apesar de juntas as manchas terem quase 25 km², a tendência é que elas se fragmentem à medida que se aproximarem da costa por conta da força dos ventos e das ondas. 

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